Políticas públicas de telessaúde em Santa Catarina: avaliação econômica de ações selecionadas

Autores

  • Francis Petterini Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Autor
  • Guilherme Valle Moura Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Autor
  • Victor Buttignon Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Autor
  • Mateus Muller Ribeiro Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Autor
  • Darlan Borges Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Autor
  • Diogo Signor Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC) Autor

DOI:

https://doi.org/10.52028/tce-sc.v02.i04.ART05.SC

Palavras-chave:

Telessaúde, Ambulancioterapia, Avaliação de políticas públicas

Resumo

O artigo apresenta uma análise detalhada da implementação e dos impactos das políticas de telessaúde em Santa Catarina, com foco no Sistema Integrado Catarinense de Telemedicina e Telessaúde (STT). A telessaúde, introduzida no estado em 2005, evoluiu significativamente ao longo dos anos, consolidando-se como uma ferramenta essencial para reduzir deslocamentos de pacientes, economizar recursos públicos e ampliar o acesso à saúde em áreas remotas. O estudo destaca que, em até 60% dos atendimentos realizados por meio de telessaúde, evita-se o deslocamento desnecessário de pacientes, resultando em uma economia anual de mais de R$70 milhões para os municípios, além da redução de 14 milhões de quilômetros percorridos por ambulâncias. O custo de implementação dos equipamentos é considerado baixo em comparação aos benefícios gerados, com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) superior a 14.000%. Além do impacto econômico, a telessaúde mostrou-se eficaz na redução de filas de espera para exames e diagnósticos. A tele-espirometria, por exemplo, praticamente eliminou as filas em dois anos, enquanto a teledermatologia reduziu em 80% o tempo de espera. A análise econométrica reforça que a telessaúde é uma solução robusta para melhorar a eficiência e a equidade no sistema de saúde. O artigo conclui que a expansão da telessaúde em Santa Catarina, embora desafiadora, apresenta resultados promissores, destacando-se como uma estratégia viável para atender às demandas de saúde de populações vulneráveis e reduzir desigualdades regionais.

Biografia do Autor

  • Francis Petterini, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

    Especialista em Ciências dos Dados, Microeconometria Aplicada e Avaliação Econômica de políticas públicas, com formação na UFRGS, no CAEN/UFC, no Banco Mundial, na PUC Rio e na Universidade do Colorado (EUA). Foi economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), analista do Grupo Técnico de Gestão Fiscal do Ceará, bolsista de produtividade em pesquisa da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), e professor da UFC, da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e da Fundação Itaú Social. Atualmente é professor da UFSC, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, consultor da FUNCAP e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Coordenador do Núcleo de Econometria Aplicada e do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFSC.

  • Guilherme Valle Moura, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

    Doutor em Economia pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Foi professor assistente na Vrije Universiteit Amsterdam e atualmente é professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina.

  • Victor Buttignon, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

    Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas. Pesquisador do grupo de pesquisa Avaliação de Políticas Públicas e Programas Sociais. Realizou doutorado na Bryant University – USA.

  • Mateus Muller Ribeiro, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

    Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

  • Darlan Borges, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

    Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Técnico Administrativo em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.

  • Diogo Signor, Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC)

    Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Maria. Mestre e Doutor em Economia pelo Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGEco-UFSC). Atuou como Professor Substituto na Universidade Federal de Santa Catarina (CSE-UFSC) e como Professor Colaborador do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (ESAG-UDESC). Foi servidor efetivo, no cargo de Economista, do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina. Atualmente é Auditor Fiscal de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC).

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Publicado

09-04-2025