Condicionantes do tempo de commuting dos centros urbanos brasileiros: uma análise empírica

Autores

  • Rafael Scherb Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC) Autor
  • Raul da Mota Silveira Neto Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Autor

DOI:

https://doi.org/10.52028/

Palavras-chave:

Regiões imediatas de articulação urbana, Tempo de commuting, Tribunais de contas

Resumo

O Brasil apresenta, para os padrões mundiais, um elevado tempo de deslocamento de casa ao trabalho. Este estudo fornece evidências a respeito dos condicionantes do tempo de commuting e sua análise é fundamentada nos diferentes resultados que cada variável explicativa apresentou na regressão econométrica. Baseando-se nos dados do Censo do IBGE de 2010, este trabalho utilizou uma nova divisão do território nacional para calcular o tempo médio de deslocamento de cada região imediata de articulação urbana e identificar os motivos a que se devem as disparidades verificadas entre regiões. Os resultados indicam uma forte influência tanto de características socioeconômicas da região, como a desigualdade de renda – medida pelo índice gini – e a densidade, quanto do uso do espaço urbano, como o percentual de pessoas que pagam aluguel, e, até mesmo, características demográficas, como o percentual de mulheres em cada região. Dessa maneira, é possível discutir o papel consultivo dos tribunais de contas na elaboração de uma política pública voltada para uma melhor mobilidade urbana.

Biografia do Autor

  • Rafael Scherb, Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC)

    Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/SC. Possui graduação em Ciências Econômicas pela 
    Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e tem experiência em Economia Regional e Urbana. 
    Recebeu a láurea universitária em 2018.

  • Raul da Mota Silveira Neto, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

    O Brasil apresenta, para os padrões mundiais, um elevado tempo de deslocamento de casa ao trabalho. Este estudo fornece evidências a respeito dos condicionantes do tempo de commuting e sua análise é fundamentada nos diferentes resultados que cada variável explicativa apresentou na regressão econométrica. Baseando-se nos dados do Censo do IBGE de 2010, este trabalho utilizou uma nova divisão do território nacional para calcular o tempo médio de deslocamento de cada região imediata de articulação urbana e identificar os motivos a que se devem as disparidades verificadas entre regiões. Os resultados indicam uma forte influência tanto de características socioeconômicas da região, como a desigualdade de renda – medida pelo índice gini – e a densidade, quanto do uso do espaço urbano, como o percentual de pessoas que pagam aluguel, e, até mesmo, características demográficas, como o percentual de mulheres em cada região. Dessa maneira, é possível discutir o papel consultivo dos tribunais de contas na elaboração de uma política pública voltada para uma melhor mobilidade urbana.

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Publicado

30-10-2023