O impacto da opinião de auditoria financeira na apreciação de prestações de contas anuais em Tribunais de Contas subnacionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.52028/tce-sc.v04.i06.ART.06.RJ

Palavras-chave:

Auditoria Financeira, Prestação de Contas Anual, Tribunais de Contas, Controle Externo

Resumo

A auditoria financeira é elementar para relatórios financeiros, uma vez que lhes confere credibilidade. Por isso, a auditoria financeira é amplamente consolidada no setor privado, sendo, por exemplo, de obrigatória realização em empresas listadas na bolsa de valores brasileira. Contudo, no setor público, ainda está em fase de implementação. Nesse sentido, o presente estudo é pioneiro em mapear em quais circunstâncias a auditoria financeira se encontra nos Tribunais de Contas subnacionais brasileiros, analisando o impacto que esse tipo de auditoria tem exercido sobre a apreciação de prestações de contas anuais nesses tribunais. Por meio de questionário específico, foi perguntado a um auditor de cada tribunal de contas subnacional se o seu respectivo tribunal já implementou a auditoria financeira e, em caso positivo, qual a percepção pessoal do valor que o tribunal dá a ela, se a inclui no processo de apreciação de prestação de contas anual e se já houve rejeição de contas anuais em decorrência de opinião de auditoria financeira. Os resultados revelam que cerca de metade dos tribunais ainda não realizam auditoria financeira e, entre os que realizam, o impacto da opinião de auditoria financeira é praticamente nulo na apreciação de contas anuais. Portanto, conclui-se que, a despeito de ser indispensável na análise de informações financeiras, o setor público brasileiro não tem usufruído plenamente dos benefícios que essa auditoria propicia.

Biografia do Autor

  • Lucas do Nascimento Magalhães, Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC)

    Especialista em auditoria financeira pelo Tribunal de Contas da União/Instituto Serzedello Corrêa (2025) e graduado em ciências contábeis pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2015), possui diversificada experiência contábil: atuou na Deloitte, multinacional especializada em serviços de auditoria, na área de serviços contábeis (2016); atuou em conselhos profissionais (2017) e também na área educacional, em setores contábeis de instituições privadas e universidades federais (2021); atuou no setor de cálculos de perícias judiciais na Advocacia-Geral da União (AGU/SC, 2023). Atualmente é auditor fiscal de controle externo pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC).

  • Gissele Souza de Franceschi Nunes, Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC)

    Doutora em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina com mobilidade estudantil na Universidade de Lisboa (2024). Mestre em Contabilidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (2013). Especialista em Contabilidade Pública (2006) e graduação em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Itajaí (2002). Atua como professora em Curso de Pós-graduações e Curso Preparatórios para Concursos. Atuou como Professora na Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC e no Instituto Superior da Grande Florianópolis - IES. Possui experiência como professora nas disciplinas de Auditoria, Contabilidade Pública, Contabilidade Governamental, Contabilidade para Administradores e Economia do Setor Público e Orçamento Público. Atuou no Ensino a Distância do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina. É Auditora Fiscal de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, onde ocupa o cargo de gestão de Diretora de Contas de Governo. Concentra as suas pesquisas na área Pública, em temas relacionados a Contabilidade, Governança e Política Pública. E-mail: gissele.nunes@tcesc.tc.br.

  • Filipi Assunção Oliveira, Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG)

    Mestre em Controladoria e Contabilidade pela UFMG, Especialista em Gestão Fiscal pela Universidade Estácio de Sá, Especialista em Contabilidade Pública pela Universidade Cândido Mendes, Bacharel em Ciências Contábeis pela UFMG, Bacharel em Sistemas de Informação na Universidade Estácio de Sá.

    Atualmente, é Auditor de Controle Externo no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), Consultor/Mentor na Framework Consultoria e Capacitação, Assessor Técnico na Câmara Técnica de Normas Contábeis e de Demonstrativos Fiscais (CTCONF), e membro do Comitê Técnico de Auditoria do Setor Público do Instituto Rui Barbosa (IRB).

    Aprovado em terceiro lugar no concurso para Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCEPB), homologado em março de 2023.

    Atuou como Professor de Contabilidade e Auditoria no IBMEC Belo Horizonte (2023-2024), Auditor Interno na Petrobras Transportes S.A. (2016 –2019), como Auditor Independente na Baker Tilly Brasil (2013 – 2016), na Pricewaterhouse Coopers (2009 – 2012) e na BKR International (2008 – 2009).

    Responsável pela capacitação de servidores públicos no campo de auditoria governamental nos tribunais de contas dos estados do Acre (TCEAC), Maranhão (TCEMA), Rio de Janeiro (TCERJ) e Santa Catarina (TCESC), no Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRJ), no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), no Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Minas Gerais (TREMG) e no Conselho de Contabilidade do Estado do Acre (CRCAC). E-mail: filipi.oliveira@tce.mg.gov.br.

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Publicado

08-04-2026